Cultura
Fábio Ramos é convidado do Weekend Capverdien 2025, em Luxemburgo

O jovem artista cabo-verdiano Fábio Ramos é um dos convidados do Weekend Capverdien 2025, que acontece nos dias 18, 19 e 20 de Julho, em Luxemburgo.
Fábio Ramos lançou, em Dezembro do ano passado, o seu primeiro álbum, “Um Cálice D’Nha Terra”. Com a música “Onde Kes Bai”, conquistou o Prémio de Melhor Coladeira nos CVMA 2025.
Nascido na ilha de São Nicolau, Fábio Ramos mudou-se com a família, aos 10 anos, para o Mindelo, em São Vicente. Foi nessa cidade que tocou as primeiras notas no violão do tio e onde descobriu a voz marcante da Diva dos Pés Descalços, Cesária Évora.
Em 2005, Fábio Ramos encontrou no rap um caminho de expressão e emancipação. Juntamente com a amiga Nana e outros colegas do Mindelo, formou o grupo Rap Soldiers, com sonoridade boom bap e letras em crioulo. Um sucesso local que, segundo ele, surgiu “apenas por diversão, sem nenhuma ambição real”.
Aos 18 anos, decidiu embarcar numa nova aventura. Começou a olhar de forma diferente para as águas do porto do Mindelo e quis seguir a profissão do pai, marinheiro há muitos anos. A recusa inicial do pai durou até 2019. Foi então que começou uma nova vida no mar, tornando-se membro da tripulação e viajando pelo mundo.
Apesar de gostar da vida de globetrotter, Fábio Ramos começou a sentir o peso da distância, da solidão e da saudade. A música “Sodade”, imortalizada por Cesária Évora, ganhou para ele um significado profundo, como hino do exílio e da dor silenciosa de quem está longe de casa.
Para resistir ao isolamento, transformou a pequena cabina do navio num estúdio improvisado. Foi no seu laptop que nasceram as primeiras composições: mornas nostálgicas sobre saudade e amores perdidos, coladeiras animadas para levantar o ânimo.
Em 2018, vencido pela saudade, regressou ao Mindelo. Lá conheceu o produtor José da Silva, responsável pela carreira de Cesária Évora, e começou a trabalhar no seu álbum de estreia.
Com o apoio do talentoso guitarrista Hernani Almeida, gravou e refinou as dez faixas de “Um Cálice”. Oito são de sua autoria; as outras duas são assinadas por Manolo e José Lopes. Com voz suave e cativante, Fábio Ramos revisita os seus géneros musicais preferidos, trazendo frescura e identidade própria à música cabo-verdiana.
Balai
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